Considerado, de forma geral, um distúrbio de
desenvolvimento causado por condições genéticas, o autismo tem como
característica fundamental o prejuízo na comunicação social e a presença de
comportamentos peculiares. Alguns sinais como a dificuldade de contato ocular
podem ser percebidos desde os primeiros meses de vida.
A neurologista infantil
Lúcia Machado Haertel explica que crianças com, aproximadamente, um ano e meio
de idade ainda não têm a comunicação verbal totalmente desenvolvida. Por isso,
nessa idade, deve existir uma comunicação não verbal bastante rica, com
manifestações das emoções através de mimicas, gestos e expressões faciais
diversas. “Entre um e dois anos, a criança observa muito as expressões faciais
da mãe. A falta dessa interação é um sinal de alerta precoce para o diagnóstico
do autismo. Ao longo dos próximos meses, o quadro vai se definindo melhor.
Outros sinais na criança são a falta de comportamentos de imitação, de apontar,
mostrar e trazer objetos de interesse para compartilhar”, diz a neuropediatra.
Geralmente, há uma
falta de interesse por pessoas, não havendo uma reciprocidade social. A
ausência ou dificuldade na comunicação social priva a criança de estímulos
adequados para o desenvolvimento. Por isso, é muito importante o
diagnóstico e a intervenção precoces. Mesmo não existindo uma cura, muitos dos
sintomas podem ser amenizados com terapias de estimulação. Os autistas mais
graves podem não desenvolver a linguagem verbal e apresentar grandes limitações
necessitando de suporte significativo ao longo de toda a vida. Outros com formas leves, bom nível intelectual e de linguagem podem achar
um nicho que se adapte a suas habilidades e interesses especiais e, assim,
viver e trabalhar de forma independente. Mas permanecem socialmente vulneráveis, com dificuldades para lidar com
as demandas diárias sem ajuda”, salienta Dra. Lúcia.
Critérios para diagnóstico do Autismo
As limitações e
prognóstico estão relacionados com o nível de gravidade do transtorno. Têm melhor prognóstico aqueles
que não apresentam comprometimento intelectual e conseguem desenvolver uma
linguagem funcional até os cinco anos. O diagnóstico é feito clinicamente. Os critérios mais aceitos mundialmente
estão no Manual de Diagnóstico e
Estatística de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of
Mental Disorders - DSM), publicado pela Academia Americana de Psiquiatria.
Síndrome de Asperger
Há um ano o DSM passou por uma revisão que aboliu a Síndrome de Asperger como diagnóstico. Na atual classificação do DSM 5, só existe o Transtorno do Espectro Autista dividido em três níveis de gravidade. “As características básicas continuam as mesmas nos três níveis, mas variam na intensidade justificando a denominação de Espectro Autista ”, explica a neurologista.
Há um ano o DSM passou por uma revisão que aboliu a Síndrome de Asperger como diagnóstico. Na atual classificação do DSM 5, só existe o Transtorno do Espectro Autista dividido em três níveis de gravidade. “As características básicas continuam as mesmas nos três níveis, mas variam na intensidade justificando a denominação de Espectro Autista ”, explica a neurologista.
Dra Lucia explica
que, desde 1994, com a inclusão no DSM-4, a Síndrome de Asperger vem causando controvérsias. O único critério que a diferenciava do autismo leve era que, na
síndrome de Asperger, não poderia haver atraso no desenvolvimento da linguagem. Os critérios antigos davam margem a
interpretações pessoais principalmente por não especialistas. Isso, associado à
popularização e utilização indiscriminada do DSM como se fosse um manual de
instruções, causou uma ‘epidemia’ mundial da Síndrome de Asperger. Assim,
com as mudanças atuais no DSM 5 haverão diagnósticos mais precisos. “Os
pacientes anteriormente diagnosticados com Síndrome de Asperger deverão ser
reavaliados e, se preencherem os novos critérios, serão considerados autistas.
Se não preencherem, deverão ser avaliadas outras possibilidades de diagnóstico
diferencial. Com critérios mais bem definidos, parte dos pacientes não poderão ser considerados
autistas”, afirma a neurologista.
Afinal, crianças podem
ter dificuldades de socialização também por timidez, fobia social, imaturidade
no desenvolvimento, deficiência intelectual, falta de limites, transtorno do
déficit de atenção e hiperatividade, transtorno desafiador opositivo, entre
outros. Outro fato que costuma ser indevidamente avaliado é a presença de
padrões repetitivos de comportamento e interesse.
“Pré-escolares normais
apresentam fases em que preferem um tipo de brinquedo, querem ver o mesmo filme
ou escutar a mesma historia várias vezes
e isso isoladamente não é diagnóstico de autismo. Afinal que menino normal
nunca teve uma fase de paixão por dinossauros? A repetição faz parte do
aprendizado infantil. Para a suspeita de autismo os padrões de interesses
restritos devem intensos e anormais em
relação aos padrões habituais da idade, como, por exemplo, uma criança que
passa horas enfileirando carrinhos sem brincar com eles ou um menino de 5 anos que se comunica mal mas já memorizou
todas as marcas de carro e só quer desenhar placas de transito.”, explica. O
diagnóstico correto é importante para que haja uma intervenção adequada.
Versão resumida
publicada na revista UNIMED de Blumenau, edição 79.
http://www.mundieditora.com.br/h/i/8512443-unimed-79-digital
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informações: Dra. Lúcia Machado Haertel
Neurologia Infantil –
CRM 6338 (47) 3322-1522
Muito bom texto.
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