quarta-feira, 16 de abril de 2014

Autismo e Asperger - Diagnósticos mais claros

 Considerado, de forma geral, um distúrbio de desenvolvimento causado por condições genéticas, o autismo tem como característica fundamental o prejuízo na comunicação social e a presença de comportamentos peculiares. Alguns sinais como a dificuldade de contato ocular podem ser percebidos desde os primeiros meses de vida. 
A neurologista infantil Lúcia Machado Haertel explica que crianças com, aproximadamente, um ano e meio de idade ainda não têm a comunicação verbal totalmente desenvolvida. Por isso, nessa idade, deve existir uma comunicação não verbal bastante rica, com manifestações das emoções através de mimicas, gestos e expressões faciais diversas. “Entre um e dois anos, a criança observa muito as expressões faciais da mãe. A falta dessa interação é um sinal de alerta precoce para o diagnóstico do autismo. Ao longo dos próximos meses, o quadro vai se definindo melhor. Outros sinais na criança são a falta de comportamentos de imitação, de apontar, mostrar e trazer objetos de interesse para compartilhar”, diz a neuropediatra.
Geralmente, há uma falta de interesse por pessoas, não havendo uma reciprocidade social. A ausência ou dificuldade na comunicação social priva a criança de estímulos adequados para o desenvolvimento. Por isso, é muito importante o diagnóstico e a intervenção precoces. Mesmo não existindo uma cura, muitos dos sintomas podem ser amenizados com terapias de estimulação. Os autistas mais graves podem não desenvolver a linguagem verbal e apresentar grandes limitações necessitando de suporte significativo ao longo de toda a vida.  Outros com formas leves, bom  nível intelectual e de linguagem podem achar um nicho que se adapte a suas habilidades e interesses especiais e, assim, viver e trabalhar de forma independente. Mas permanecem socialmente  vulneráveis, com dificuldades para lidar com as demandas diárias sem ajuda”, salienta Dra. Lúcia.
Critérios para diagnóstico do Autismo
As limitações e prognóstico estão relacionados com o nível de gravidade  do transtorno. Têm melhor prognóstico aqueles que não apresentam comprometimento intelectual e conseguem desenvolver uma linguagem funcional até os cinco anos. O diagnóstico é feito clinicamente.  Os critérios mais aceitos mundialmente estão  no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders - DSM), publicado pela Academia Americana de Psiquiatria. 
 Síndrome de Asperger
Há um ano o DSM passou por uma revisão que aboliu a Síndrome de Asperger como diagnóstico. Na atual classificação do DSM 5, só existe o Transtorno do Espectro Autista dividido em três níveis de gravidade.  “As características básicas continuam as mesmas nos três níveis, mas variam na intensidade justificando a denominação de Espectro Autista ”, explica a neurologista.
 Dra Lucia explica que, desde 1994, com a inclusão no DSM-4, a Síndrome de Asperger vem causando controvérsias. O único critério que a diferenciava do autismo leve era que, na síndrome de Asperger, não poderia haver atraso no desenvolvimento da linguagem.  Os critérios antigos davam margem a interpretações pessoais principalmente por não especialistas. Isso, associado à popularização e utilização indiscriminada do DSM como se fosse um manual de instruções, causou uma ‘epidemia’ mundial da Síndrome de Asperger.  Assim, com as mudanças atuais no DSM 5 haverão diagnósticos mais precisos. “Os pacientes anteriormente diagnosticados com Síndrome de Asperger deverão ser reavaliados e, se preencherem os novos critérios, serão considerados autistas. Se não preencherem, deverão ser avaliadas outras possibilidades de diagnóstico diferencial. Com critérios mais bem definidos,  parte dos pacientes não poderão ser considerados autistas”, afirma a neurologista.
Afinal, crianças podem ter dificuldades de socialização também por timidez, fobia social, imaturidade no desenvolvimento, deficiência intelectual, falta de limites, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, transtorno desafiador opositivo, entre outros. Outro fato que costuma ser indevidamente avaliado é a presença de padrões repetitivos de comportamento e interesse.
“Pré-escolares normais apresentam fases em que preferem um tipo de brinquedo, querem ver o mesmo filme ou escutar  a mesma historia várias vezes e isso isoladamente não é diagnóstico de autismo. Afinal que menino normal nunca teve uma fase de paixão por dinossauros? A repetição faz parte do aprendizado infantil. Para a suspeita de autismo os padrões de interesses restritos devem  intensos e anormais em relação aos padrões habituais da idade, como, por exemplo, uma criança que passa horas enfileirando carrinhos sem brincar com eles ou um menino de  5 anos que se comunica mal mas já memorizou todas as marcas de carro e só quer desenhar placas de transito.”, explica. O diagnóstico correto é importante para que haja uma intervenção adequada.
Versão resumida publicada na revista UNIMED de Blumenau, edição 79.
http://www.mundieditora.com.br/h/i/8512443-unimed-79-digital
 Mais informações:  Dra. Lúcia Machado Haertel
Neurologia Infantil – CRM 6338   (47) 3322-1522



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