segunda-feira, 9 de março de 2015

A atividade física e a memória

                                                                                           
                 A ideia de que nascemos com todos os neurônios que vamos ter ao longo da vida sofreu modificações na última década. Existem duas exceções. Uma delas é o hipocampo onde neurônios novos são produzidos diariamente. No entanto, tais neurônios tem vida curta. Não são como os velhos, os quais, gerados na vida fetal, serão nossos companheiros para o resto da vida!  
                 O hipocampo é uma pequena área do cérebro responsável pela aquisição de novas memórias. Tudo o que vivemos e aprendemos no dia a dia passa por ele na fase de aquisição. Depois que a memória está consolidada, ela é transferida para diversas áreas cerebrais propiciando seu armazenamento à longo prazo. Terminado este processo, os neurônios novos perdem sua função e morrem.
                Os neurônios novos do hipocampo continuam sendo produzidos ao longo de toda a vida. Portanto, embora a capacidade de aprendizagem de jovens seja incomparável à dos idosos por diversos fatores, pessoas mais velhas ainda possuem boa capacidade de adquirir novos conhecimentos. Essa informação motivar os idosos a continuarem tendo uma vida intelectualmente ativa e vivendo novas experiências. 
                Sabe-se também que, na depressão, ocorre redução da produção desses neurônios e os hipocampos dos pacientes deprimidos costumam ser menores do que a média. Isto explica os problemas de memória frequentemente observados nesses pacientes. O stress crônico também causa morte de células dessa área do cérebro.
                Outra novidade instigante é que estudos demonstraram que antidepressivos (como a fluoxetina, por exemplo) aumentam a produção de neurônios novos no hipocampo. Calma! Nem pensem em começar a toma-la para melhorar a memória! Não há evidências de que o remédio tenha o mesmo efeito em pessoas não deprimidas, e não quero, de forma alguma, contribuir para o já excessivo uso de fluoxetina na epidemia mundial de depressão.
                Se a questão é melhorar a memória, há uma solução bem mais fácil e saudável! Está provado que o exercício aeróbico também aumenta a produção de neurônios novos no hipocampo, tanto em deprimidos como em não deprimidos. Portanto, pode melhorar a memória! A atividade física tem  inúmeros benefícios que todos conhecemos: melhora o sistema cardiovascular, previne infartos cerebrais e do coração, melhora o controle de hipertensão e do diabetes. Além disso, são baratos, fáceis, naturais, estimulam a socialização e só dependem de motivação.  Vencida a preguiça, passamos a sentir prazer com a atividade física, através da liberação de dopamina e endorfinas, sendo que as últimas reduzem também a dor e desconforto físico. A atividade física estimula também a produção de  prolactina - um calmante natural para o cérebro -, reduzindo os efeitos negativos do stress. Toda esta “química cerebral” aumenta a produção de neurônios novos no hipocampo!
                Assim, para melhorar o funcionamento geral do nosso cérebro e nossa memória, ao invés de mandar colocar fluoxetina na água encanada, “bora” todo mundo malhar!

Lucia Machado Haertel, Publicado também na Revista Tie Break

                

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