A ideia de que nascemos com todos os neurônios que vamos ter ao
longo da vida sofreu modificações na última década. Existem duas exceções. Uma
delas é o hipocampo onde neurônios novos são produzidos diariamente. No entanto,
tais neurônios tem vida curta. Não são como os velhos, os quais, gerados na
vida fetal, serão nossos companheiros para o resto da vida!
O hipocampo é uma pequena área do cérebro
responsável pela aquisição de novas memórias. Tudo o que vivemos e aprendemos
no dia a dia passa por ele na fase de aquisição. Depois que a memória está
consolidada, ela é transferida para diversas áreas cerebrais propiciando seu armazenamento
à longo prazo. Terminado este processo, os neurônios novos perdem sua função e
morrem.
Os neurônios
novos do hipocampo continuam sendo produzidos ao longo de toda a vida.
Portanto, embora a capacidade de aprendizagem de jovens seja incomparável à dos
idosos por diversos fatores, pessoas mais velhas ainda possuem boa capacidade
de adquirir novos conhecimentos. Essa informação motivar os idosos a continuarem
tendo uma vida intelectualmente ativa e vivendo novas experiências.
Sabe-se
também que, na depressão, ocorre redução da produção desses neurônios e os
hipocampos dos pacientes deprimidos costumam ser menores do que a média. Isto
explica os problemas de memória frequentemente observados nesses pacientes. O stress
crônico também causa morte de células dessa área do cérebro.
Outra
novidade instigante é que estudos demonstraram que antidepressivos (como a fluoxetina,
por exemplo) aumentam a produção de neurônios novos no hipocampo. Calma! Nem
pensem em começar a toma-la para melhorar a memória! Não há evidências de que o
remédio tenha o mesmo efeito em pessoas não deprimidas, e não quero, de forma
alguma, contribuir para o já excessivo uso de fluoxetina na epidemia mundial de
depressão.
Se a
questão é melhorar a memória, há uma solução bem mais fácil e saudável! Está
provado que o exercício aeróbico também aumenta a produção de neurônios novos
no hipocampo, tanto em deprimidos como em não deprimidos. Portanto, pode
melhorar a memória! A atividade física tem
inúmeros benefícios que todos conhecemos: melhora o sistema
cardiovascular, previne infartos cerebrais e do coração, melhora o controle de
hipertensão e do diabetes. Além disso, são baratos, fáceis, naturais, estimulam
a socialização e só dependem de motivação. Vencida a preguiça, passamos a sentir prazer com
a atividade física, através da liberação de dopamina e endorfinas, sendo que as
últimas reduzem também a dor e desconforto físico. A atividade física estimula
também a produção de prolactina - um
calmante natural para o cérebro -, reduzindo os efeitos negativos do stress. Toda
esta “química cerebral” aumenta a produção de neurônios novos no hipocampo!
Assim,
para melhorar o funcionamento geral do nosso cérebro e nossa memória, ao invés
de mandar colocar fluoxetina na água encanada, “bora” todo mundo malhar!
Lucia Machado Haertel, Publicado também na Revista Tie Break
Lucia Machado Haertel, Publicado também na Revista Tie Break
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