terça-feira, 27 de maio de 2014

A MARCHA DA MACONHA

       No último domingo manifestantes pró-legalização da maconha foram às ruas. A discussão desse tema é válida desde que usados argumentos corretos. Há quem afirme o absurdo de que a maconha é natural e, portanto, não faz mal. Dizem também que é um santo remédio!  Se fosse assim, poderíamos experimentar também plantas como a cicuta, a “comigo-ninguém-pode”, a mandioca brava e cogumelos psicodélicos, todas naturais. 
        A maconha é uma droga mais leve,  porém está longe de ser  inofensiva.  Seu efeito deletério sobre a memória está comprovado, sobretudo quando o uso inicia-se na adolescência. Além disto, favorece o aparecimento e o agravamento de algumas doenças psiquiátricas. O cérebro do adolescente é especialmente vulnerável às drogas e propenso à dependência, inclusive ao álcool e à maconha. 
       Quanto ao uso medicinal, só irá usar maconha quem aceitar o ônus ou o bônus de ficar “chapado” como efeito colateral.  O turismo da maconha medicinal já é uma realidade nos estados americanos que a legalizaram para este fim. Parece-me estranho que Aspen, uma sofisticada estação de esqui, seja um dos destinos mais procurados pelos supostos  “doentes” que buscam a “cura pela erva”.   Os cientistas mais renomados são contra o uso da planta fumada, um composto de 460 substâncias, para fins medicinais.  Existem, no entanto, pesquisas promissoras utilizando-se apenas um de seus componentes, o Canabidiol, que quando isolado, deixa de ser maconha e passa a ser uma molécula como outra qualquer. Comprovada sua eficácia e segurança, a classe médica será favorável ao uso do canabidiol isolado como medicamento. 
        É correto afirmar que a legalização desvincularia a aquisição da maconha do ambiente do tráfico das drogas pesadas. O tráfico gera violência e criminalidade e é válido discutir se vale a pena combate-lo no caso de uma droga mais leve. No entanto, a exemplo do álcool, mesmo que a maconha só fosse liberada para maiores de 18 anos, como evitar que os adolescentes tenham acesso à droga? E quanto ao seu efeito entorpecente no trânsito?  No Brasil, não há como controlar. Portanto, entre prós e contras, sou contra. Já temos o álcool, uma droga recreativa lícita causadora de acidentes de transito e acessível aos adolescentes. Não precisamos de mais uma.  

Dra. Lucia Machado Haertel - Neurologista Infantil e da Adolescência 
Clínica Neurosaúde-Blumenau (47)33221522

Publicado no Jornal de Santa Catarina em 27/05/2014
 http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,182,4510530,24405
Publicado no jornal "O Tempo"de Belo horizonte em 09/06/2014 

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