Por Lucia Machado Haertel
A revista Veja publicou recentemente uma matéria sobre o uso medicinal
da maconha em alguns estados americanos e a legalização iminente para uso
recreativo em dois deles. Seguindo fielmente a minha missão de zelar pela saúde
dos neurônios, eu sou contra legalização, mas admito a existência de fortes argumentos
a seu favor. A permissão apenas para uso medicinal é, no entanto, ridícula.
A
maconha é composta por diversas substâncias, constando entre elas o THC, o
componente que dá o “barato” e o CBD, o componente com ação medicinal. Curiosamente,
a maior parte dos “doentes” procura aquelas com maior teor de THC para,
supostamente, curar seus males. Apesar
da exigência de receita médica para a compra, é possível ver alunos usando
maconha em salas de aula e pessoas dirigindo enquanto fumam seu baseado
medicinal no dia a dia nesses estados americanos. O risco de acidentes devido à
lentidão dos reflexos é semelhante ao de pessoas alcoolizadas e não há sequer
bafômetros para maconha! As lojas especializadas sabem que as receitas médicas
são tão suspeitas quanto os doentes, mas fica tudo por isto mesmo. O turismo da
maconha medicinal já é uma realidade e me parece estranho que Aspen, uma
sofisticada estação de esqui, seja um dos destinos mais procurados pelos “doentes”
que buscam a “cura pela erva”. Além da passagem aérea e da estadia em hotéis
de luxo, não se esqueçam de comprar a receita médica!
Embora a
maconha possua, de fato, ação analgésica, sedativa e antiemética, outros medicamentos
eficientes para estes males já existem. Sou a favor do uso apenas do componente medicinal, o CBD, isolado, sob a forma de medicamento para tratamento de epilepsias, espasticidade e outras doenças. Desta forma, ela seria inclusive mais eficaz e não seria mais maconha, seria o medicamento CBD. A verdade é que como medicamento, a maconha fumada tem
um ótimo efeito recreativo e seu uso medicinal atualmente é um cinismo explícito. Os efeitos terapêuticos não compensam os seus riscos como droga. E não venham me dizer que ela não faz mal e
não vicia, porque isto a ciência já provou! Portanto, os governos deveriam ser claros:
proibir totalmente ou legalizar de vez. Assim pelo menos assumiriam as consequências
da medida: risco de esquizofrenia e de outras doenças mentais, perda
de memória, redução do QI e o mais grave - a promoção do vício e da entrada dos
adolescentes no mundo das outras drogas.
Publicado no Jornal de Santa Catarina, em 18/01/2014

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