domingo, 26 de janeiro de 2014

Maconha para uso medicinal?

                                                           Por Lucia Machado Haertel

                A revista Veja publicou recentemente uma matéria sobre o uso medicinal da maconha em alguns estados americanos e a legalização iminente para uso recreativo em dois deles. Seguindo fielmente a minha missão de zelar pela saúde dos neurônios, eu sou contra legalização, mas admito a existência de fortes argumentos a seu favor. A permissão apenas para uso medicinal é, no entanto, ridícula.

            
             A maconha é composta por diversas substâncias, constando entre elas o THC, o componente que dá o “barato” e o CBD, o componente com ação medicinal. Curiosamente, a maior parte dos “doentes” procura aquelas com maior teor de THC para, supostamente, curar seus males.  Apesar da exigência de receita médica para a compra, é possível ver alunos usando maconha em salas de aula e pessoas dirigindo enquanto fumam seu baseado medicinal no dia a dia nesses estados americanos. O risco de acidentes devido à lentidão dos reflexos é semelhante ao de pessoas alcoolizadas e não há sequer bafômetros para maconha! As lojas especializadas sabem que as receitas médicas são tão suspeitas quanto os doentes, mas fica tudo por isto mesmo. O turismo da maconha medicinal já é uma realidade e me parece estranho que Aspen, uma sofisticada estação de esqui, seja um dos destinos mais procurados pelos “doentes” que buscam a “cura pela erva”. Além da passagem aérea e da estadia em hotéis de luxo, não se esqueçam de comprar a receita médica!  

                Embora a maconha possua, de fato, ação analgésica, sedativa e antiemética, outros medicamentos eficientes para estes males já existem.  Sou a favor do uso apenas do componente medicinal, o CBD, isolado, sob a forma de medicamento para tratamento de epilepsias, espasticidade e outras doenças. Desta forma, ela seria inclusive mais eficaz e não seria mais maconha, seria o medicamento CBD. A verdade é que como medicamento, a maconha fumada tem um ótimo efeito recreativo e seu uso medicinal atualmente é um cinismo explícito. Os efeitos terapêuticos não compensam os seus riscos como droga.  E não venham me dizer que ela não faz mal e não vicia, porque isto a ciência já provou! Portanto, os governos deveriam ser claros: proibir totalmente ou legalizar de vez. Assim pelo menos assumiriam as consequências da medida: risco de esquizofrenia e de outras doenças mentais, perda de memória, redução do QI e o mais grave - a promoção do vício e da entrada dos adolescentes no mundo das outras drogas.

Publicado no Jornal de Santa Catarina, em 18/01/2014

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